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santos devaneios...

Mariana Valle nasceu curiosa e, toda prosa, virou poeta aos 12, cronista na aborrescência, poeta erótica por indecência, jornalista e publicitária por necessidade e contista por vontade. Aposta na literatura como cura, e, às vezes, por loucura mesmo, mas não se engane: ela nunca escreve à esmo.

Nossa colunista ELA convidada 
é carioca...
figuras reproduzidas

Toda vez que estou no avião e olho para a janela, fico imaginando como seria gostoso me jogar naquele céu azul cheio de nuvens branquinhas. Não demora e já começo a me sentir totalmente acolhida pelo contato com aquele algodão branco gigantesco. Então me vem uma sensação de leveza deliciosa. Como se estivesse flutuando. Totalmente alheia ao mundo que ficou lá embaixo. Livre de todo o peso que cisma em me puxar com tanta gravidade.

O mesmo acontece quando passo de carro ou ônibus ali pelo Joá, ou qualquer outra estrada de onde eu possa avistar a imensidão do mar. Penso tanto em me atirar n’água nessas horas que até já cheguei a suspeitar que estou predestinada a morrer num acidente nesse trajeto e, por isso, evitei esse caminho várias vezes quando estava ao volante. Que besteira! Afinal, assim perco o incomparável prazer de apreciar tão bela paisagem e ainda evito outro sublime momento de minha imaginação. Repetindo o momento avião, nessas horas sinto uma liberdade tão absoluta...

Durante muito tempo, me achei meio doida por pensar nessas coisas, mas, então, noutro dia, cheguei à conclusão oposta: são exatamente essas fantasias que não me fazem perder a sanidade. Raciocine comigo. Não é preciso ser psicóloga para analisar que isso tudo vem do meu inconsciente, que quer se libertar das amarras da repressão cotidiana. Como se, com esses vôos ou mergulhos, eu estivesse automaticamente dando meu grito de liberdade, me jogando no mundo do jeito que tenho vontade, e não da maneira conveniente, por mais louco e inapropriado que isso possa ser.

E, antes que você pense que minha intenção seria realizar meus desejos mais estranhos, sujos ou malucos, aí vai um balde de água fria. Eu pensei foi numa vontade muito simples, porém difícil de ser concretizada nos dias atuais. Dias em que somos bombardeados por comunicação entrecortada por todos os lados. Frases de 144 caracteres aqui, um videozinho viral ali, um post acolá, e uma montoeira de notícias dispersas. Notícias deles, suas, minhas, nossas e sabe-se lá de quem mais.

Somos a geração da internet, do celular, do videoclipe. Não somos cinema, novela. Muito menos um livro. Vivemos como num vídeo caseiro do Youtube, com uma estranha pretensão de virar um hit da web. E, pra isso, temos que seguir o manual moderno, claro. Não temos amizades reais, curtimos avatares. Não sabemos história, pesquisamos no Google. Nós não temos namoros. O que é isso mesmo? Nós ficamos, ora bolas! Como poderia usar um verbo diferente num tempo em que não se conjuga mais o verbo “ser” e sim o “parecer”? Nós ficamos porque não podemos ser vulneráveis. Ser qualquer coisa, cá pra nós, dura uma eternidade. O lance é ficar. Assim, se você mudar de idéia, é só deixar de ficar e está resolvido o problema. Ficar é mais fácil, mais prático, mais rápido. Cabe no espaço de um SMS e é praticamente indolor.

O problema é que isso pode acabar virando algo insosso também, afinal, engolir não é o mesmo que mastigar. Para saborear uma comida é preciso mastigar e, de preferência, bem devagar... Hummm. Você também imaginou um chocolate derretendo na sua boca? Mas, voltemos. Nós ficamos com quantas pessoas forem necessárias para provar que não somos babacas, daqueles antiquados que “chegavam nas meninas” com a estranha pergunta: “quer namorar comigo?” Nós ficamos! E não demoramos muito para ter relações sexuais que é pra provar que somos tão gostosas e cheias de sexualidade como a Beyoncé, Shakira, Madonna ou, a pioneira disso tudo: Marylin Monroe. O fato é que nós “mandamos ver na parada” para deixar bem claro que nossa performance é digna de um clipe da Lady Gaga. Nós vivemos num videoclipe, esqueceu? Não basta ser superstar. É preciso “causar”. E a gente faz isso como? Parecendo uma superstar, claro. Parecendo para aparecer. Sacou a jogada?

É nesse ponto que volto para os meus devaneios lá do início do texto. Eu vivo nesse mundo, convivo com essas pessoas e sou dessa geração, mas não preciso fazer igual. Porque ser forte, pra mim, não é fazer o que é conveniente, e sim o que me dá na telha. Ser forte não é entrar e sair, ou muitas vezes só parecer entrar, em relacionamentos e amizades superficiais. Entrar e sair imune. Ser forte é mergulhar no contato, se abrir ao outro. E sem medinho de se machucar ou receio de se mostrar afetado. Porque forte é quem ama e não quem vai pra cama. Mesmo que, no meio ou no final da história, nos restem algumas lágrimas. Só conhece a verdadeira alegria quem já chorou um dia.

É por isso que disse e repito: meus devaneios sobre o mar e o céu não são o que me fazem ser doida, mas sim o que mantém minha sanidade. E você? Já analisou seus desejos mais loucos?




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As imagens não estão dispostas na ordem cronológica da história. São apenas imagens para ilustrar o Post.















Te espero!
Beijos
Beth Valentim